Peregrinação

Dom Luciano Cabral Duarte. Idealizador da Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora.

Dando justiça ao tempo e aos fatos, devemos situar o início da peregrinação no dia 24 de agosto de 1958, implantada pelo Padre Luciano Cabral Duarte após o seu retorno da França, inspirada nas peregrinações à Catedral de Chartres. A primeira foi realizada no mês de agosto, quando o Padre Luciano, Assistente Eclesiástico da Juventude Universitária Católica (JUC), introduziu, juntamente com um grupo de jovens universitários de diversas Faculdades, especialmente a Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, a Peregrinação de Riachuelo, Paróquia da Imaculada Conceição, à Divina Pastora. Desse momento histórico do início da peregrinação em Sergipe, testemunha-nos Maria Giovanni dos Santos Mendonça: “A estrada de piçarra que ligava Riachuelo à Divina Pastora nunca presenciara antes o espetáculo de jovens em marcha, cantando com entusiasmo e alegria desde as primeiras horas do dia, tratava-se de estudantes liderados pelo Padre Luciano…”. No primeiro ano os peregrinos eram poucos, menos de cinquenta estudantes, “organizados em sete fileiras, e quem ficava no meio conduzia o desenvolvimento do tema que circulava entre nós”. No segundo ano, o número quadruplicou.

Em 1971, devido às chuvas dos meses de agosto e setembro, o Exmo. Sr. Arcebispo de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, estabeleceu o terceiro domingo de outubro como o domingo da Peregrinação de toda a Arquidiocese à Paróquia de Nossa Senhora Divina Pastora. Peregrinação que consiste numa caminhada penitencial. Pelo que nos consta, o evento cessou por alguns anos e retomou seu percurso com vigor sempre progressivo a partir do dia 15 de outubro de 1972, tornando realidade o sonho do então Dom Luciano Cabral Duarte.

Padre Raimundo Cruz. Grande propagador da Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora.

A Peregrinação, atualmente ainda realizada no terceiro domingo de outubro, teve no Padre Raimundo Cruz o seu grande propagador, o qual, sempre em sintonia com o mentor da Peregrinação, mobilizou todo o Estado de Sergipe. Com o mesmo espírito do Beato Diego de Cádiz, como pároco de Divina Pastora, encargo que ocupou por doze anos, fez da Mãe, peregrina, seguindo-a pelos quatro cantos do Estado por ocasião do bicentenário da chegada da devoção, e a tornou conhecida e amada entre as povoações mais longínquas. Em 2012, celebramos 230 anos da chegada da devoção a Nossa Senhora Divina Pastora em terras sergipanas e no Brasil; e, justamente por isso, nossa paróquia foi elevada a Santuário, precisamente no dia 14 de outubro.

Nesses últimos vinte anos, a Peregrinação, por tantos motivos, foi se degenerando em ocasião de alcoolismo, promiscuidade e em um espaço de exagerado comércio, fatos estes, dentre outros, que vinham desvirtuando o objetivo central do maior evento religioso do nosso Estado e, consequentemente, afastando os peregrinos. Mas o Bom Deus nunca abandona Seus projetos e promessas; após um período de 24 anos sem um padre residente na Cidade, embora a nossa paróquia sempre tenha sido assistida por sacerdotes circunvizinhos, no dia 15 de novembro de 2009, fomos contemplados com a chegada do então Administrador Paroquial, Padre Helelon Bezerra dos Anjos. Este não mediu esforços para dialogar com a Municipalidade, tendo como objetivo planejar melhor o espaço público e delimitar o consumo de álcool durante o Evento Religioso e Cultural. Desde a Peregrinação 2010, assumimos o seguinte slogan: “Se vier à Peregrinação, não beba; e, se beber, não venha!”.

No dia 09 de setembro de 2014, o então Governador do Estado de Sergipe, Jackson Barreto de Lima, assinou um Decreto, declarando a Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora Patrimônio Cultural de natureza imaterial do Estado de Sergipe, ato este que faz da Peregrinação uma “filha legítima” do Estado e portanto o Estado reconhece a importância deste Evento como gerador de identidade da gente sergipana. E como a história não “congela”, é viva e sempre disponível a ser escrita, no dia 17 de outubro de 2014, o Governador Jackson Barreto, juntamente com uma seleta representação do Estado de Sergipe: o então Prefeito do Município de Divina Pastora, Sylvio Maurício Mendonça Cardoso; o então Vice-Prefeito, Carlos Augusto Cardoso Costa; alguns vereadores; pessoas representando a Comunidade Pastorense e Paroquial; o então Reitor do Santuário, Padre Helelon Bezerra dos Anjos e alguns familiares do falecido Padre Raimundo Cruz, dentre estes sua sempre companheira e irmã Terezinha Cruz, através de um ato solene e público, inaugurou a iluminação da Rodovia SE-160 (Trecho Riachuelo à Divina Pastora), e aproveitando deste singular e inédito acontecimento, presenteou-nos oficializando o nome da Rodovia que desde então passa a ser chamada: “Caminho dos Peregrinos de Divina Pastora ‘Padre Raimundo Cruz’”.

Peregrinos percorrendo a Rodovia Padre Raimundo Cruz, rumo ao Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora.

Motivados pela grande piedade e devoção do Povo de Deus à Virgem Santíssima, invocada como Divina Pastora, porque Mãe do Divino Pastor, já tão arraigadas no coração dos sergipanos e adventícios ao seu majestoso Santuário, os bispos da Província Eclesiástica de Aracaju, num ato conjunto, em 14 de outubro de 2017, proclamaram Nossa Senhora Divina Pastora como Padroeira do Estado de Sergipe. E tendo em vista tal ato, em 25 de outubro de 2017, a Assembleia Legislativa de Sergipe aprovou a Lei nº. 8.302, que incluiu o dia de Nossa Senhora Divina Pastora no Calendário Cultural do Estado de Sergipe.

Imagem de Nossa Senhora Divina Pastora na ALESE, em ocasião de sessão solene em sua homenagem.

Divina Pastora das Almas, rogai por nós!