Santuário

Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora. Divina Pastora/SE.

Surgiu, no alto de uma colina, o povoado “Ladeira”, atual município de Divina Pastora, Sergipe. Remonta sua história bem antes do início do século XVIII, tendo sido sua primeira sede a capela de São Gonçalo (próxima à fazenda Coqueiro, no percurso entre Riachuelo e o Povoado Bonfim), mas, por motivo de ruína, passou à capela de Jesus, Maria e José de Pé do Banco (Siriri). Novamente, pelo mesmo motivo, a sede voltou para a antiga capela de São Gonçalo, então melhorada, sendo esta última mudança determinada por Decreto de D. João VI, em 1813. Os capuchinhos eram pastores ativos e zelosos em apascentar o rebanho de Cristo. Assim, entre canaviais e muita mata, a antiga “Ladeira” teve o privilégio de acolher a herança outorgada pelos religiosos que, ao aqui chegarem em outubro de 1782, fizeram uma missão em Sergipe e no término nos legaram também o alegre espírito religioso pastoril, tradição da Península Ibérica. Realmente, tudo começou pelo próprio desejo da mãe do Divino Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo: “Por onde fores, difunde a minha devoção sob o título de Nossa Senhora Divina Pastora”, pedido feito ao Frei Isidoro de Sevilha. Da Península Ibérica a devoção alcançou Marcas de Ancona, na Itália. De lá veio para o Brasil, pois os missionários capuchinhos trouxeram uma imagem da Virgem Peregrina.

Imagem de Nossa Senhora Divina Pastora do altar-mor do Santuário

Representava Nossa Senhora do meio rural, corruptela de Nossa Senhora Divina Pastora. Inspiração do Frei Isidoro, foi a mais notável contribuição deixada pelos missionários e reproduzida pelo pintor baiano, conhecido por José Teófilo de Jesus, que a eternizou nos corações dos fieis ao culto á Divina Pastora. O doce motivo pastoril retrata a Santíssima em sua forma mais original de que se tem notícia no Brasil. Radiante de Amor sensibiliza a quantos a veneram, através da belíssima composição, ornada de cenas bíblicas e da iconografia do campesinato daquela época.

Teto do Santuário Pintado por José Teófilo de Jesus

José Teófilo de Jesus assim nos reservou um dos mais belos painéis pintados em madeira para representá-la no forro da nave da Igreja Matriz de Nossa Senhora Divina Pastora, procurando, dentro da temática, manter o estilo e os procedimentos técnicos aprendidos através do mestre José Joaquim da Rocha e do seu estágio em Lisboa com Battoni.

Deixando transparecer a doçura e a serenidade da Santa dos pastores, o magnífico painel, considerado sua obra prima, é afável, lúdico, vibrante, extremamente alegre pela humildade paradisíaca do tema bucólico, apaixonante à primeira vista e inebriante pelo lirismo do toque divino ofertado a Teófilo, como se fosse o prêmio maior ao apagar das luzes da sua existência.

Em 31 de maio de 1833, o Exmo. Sr. Arcebispo primaz de São Salvador – Bahia, Dom Jeronymo Thomé da Silva, por decreto criou a freguesia de Nossa Senhora Divina Pastora no Estado de Sergipe Del Rei, desmembrando da Paróquia de Itabaiana.

Finalmente, no dia 14 de outubro de 2012, pela ocorrência dos 230 anos da chegada da devoção a Nossa Senhora Divina Pastora em terras sergipanas e no Brasil, em solicitação formal ao Senhor Arcebispo Metropolitano Dom José Palmeira Lessa, impetramos o seu consenso, por tão importante ocasião, em elevar, através de um Decreto, nossa Paróquia à categoria de Santuário, reconhecendo o título que já está presente no coração de cada peregrino que vem nos visitar. Assim nossa paróquia foi elevada a Santuário numa solene Celebração Eucarística presidida pelo nosso Bispo Auxiliar Dom Henrique Soares da Costa. Deste modo se concretizaram as palavras do saudoso Dom José Vicente Távora (†1970), por ocasião da primeira Peregrinação no dia 24 de agosto de 1958, e somos oficialmente “o maior Santuário Mariano do Estado de Sergipe”.

No dia 07 de dezembro de 2012, o já Santuário foi presenteado com a nomeação do seu primeiro Reitor, o até então Administrador Paroquial, Padre Helelon Bezerra dos Anjos. Atualmente o Santuário está sobre os cuidados pastorais do Padre Jhonatan Michael Calixto Farias, seu segundo Reitor.

Documento da Penitenciaria Apostólica que concede indulgências Plenárias aos que visitarem o Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora.

Em 2013, por mercê e bênção do Papa Francisco, nosso Santuário tornou-se “dispensador perpétuo de Indulgências Plenárias”, para todo peregrino que aqui vier e cumprir com os requisitos que o Direito Canônico prevê para tal ocasião, a saber:

“Lucrarão as Indulgências Plenárias aqueles que, ao frequentarem esse Santuário, na Arquidiocese de Aracaju, estejam devidamente preparados como ensina a Igreja (tenham recebido o Sacramento da Confissão e permaneçam em estado de graça), e, ali, participem da missa dominical, recitem a oração do Credo e invoquem a Virgem Maria, a Divina Pastora, diante da sua Sagrada Imagem.

Então, isso aconteça:

a) no dia da sua festa, na 3ª Semana de Outubro (desde a véspera da sexta-feira até o domingo seguinte);
b) quando participarem das peregrinações a este Santuário;
c) e, durante todo o ano, quando ali frequentarem com fé.

Aos fiéis da Arquidiocese de Aracaju, que por motivo de idade avançada, enfermidade ou outro motivo grave, também se concedem as Indulgências Plenárias, se arrependidos de todos os seus pecados, tiverem a intenção de receberem tais indulgências, seguindo as orientações da Igreja, ou seja: orar e louvar a Virgem Maria diante da sua Sagrada Imagem; frequentar este Santuário nos dias previstos; confiar plenamente, na misericórdia divina.